Herdeiros da Família Zahran são alvos de operação contra fraudes bancárias e um deles é considerado foragido

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A Polícia Civil investiga um esquema milionário de fraudes bancárias que teria sido comandado por herdeiros de uma família tradicional de Mato Grosso do Sul. Um dos principais alvos da investigação, Camilo Gandi Zahran Georges, é considerado foragido da Justiça após não ser localizado durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Castelo de Cartas, deflagrada nesta quarta-feira (28).

A operação é conduzida pela Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto (SP), com apoio das forças policiais de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em dois condomínios de alto padrão no bairro Carandá Bosque, região nobre da Capital.

Segundo a Polícia Civil, Camilo é investigado por liderar uma associação criminosa especializada em fraudes eletrônicas e estelionato, que teria movimentado milhões de reais. Como ele não foi encontrado nos endereços informados, passou à condição de foragido em razão de um mandado de prisão temporária com validade inicial de cinco dias, que pode ser prorrogado ou convertido em prisão preventiva, conforme o andamento das investigações.

Irmão é ouvido pela polícia

O irmão de Camilo, Gabriel Gandi Zahran Georges, foi conduzido para prestar depoimento na Depac-Cepol, em Campo Grande, acompanhado por advogado. Contra ele, não havia mandado de prisão em vigor. Durante a operação, uma caminhonete Ram Rampage foi apreendida e ficou sob responsabilidade de Gabriel, na condição de depositário fiel.

De acordo com o delegado Fernando Tedd, responsável pelo caso, os investigados utilizavam o sobrenome de uma família tradicional ligada ao setor de gás e energia para conferir falsa credibilidade ao esquema, induzindo vítimas a acreditarem que estavam investindo em empresas sólidas e consolidadas.

“Eles criaram empresas de fachada simulando vínculos com um grande grupo empresarial. As vítimas acreditavam estar investindo nessas empresas, quando, na verdade, tratava-se de um esquema fraudulento”, explicou o delegado.

A Polícia Civil esclarece que os irmãos não integram oficialmente a administração das empresas do grupo familiar, apesar de se beneficiarem da imagem pública associada ao sobrenome.

Histórico policial de um dos investigados

Gabriel Zahran já havia sido alvo de investigações anteriormente. Em 2021, ele foi indiciado por um homicídio ocorrido durante uma caçada em um haras localizado em Campo Grande. Na ocasião, alegou que o disparo teria sido acidental. No mesmo ano, também se envolveu em um grave acidente de trânsito que deixou dois motociclistas feridos em estado grave.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, a associação criminosa prometia retornos financeiros elevados, atraindo investidores de diferentes estados, incluindo São Paulo. As vítimas só perceberam o golpe quando tentaram receber os supostos dividendos prometidos e não obtiveram resposta, momento em que procuraram as delegacias para registrar ocorrência.

A primeira fase da Operação Castelo de Cartas foi realizada em condomínios de alto padrão em São José do Rio Preto (SP), onde um suspeito foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Já a segunda fase, em Campo Grande, resultou na apreensão de joias, pedras preciosas, celulares, relógios de luxo e veículos.

As investigações seguem em andamento para localizar o foragido, identificar outros envolvidos e dimensionar o total do prejuízo causado às vítimas.

Reflexão social

O caso também provoca um debate inevitável sobre desigualdade social e o peso do sistema sobre diferentes realidades. Em municípios do interior, como Terenos, onde a maioria da população vive do trabalho diário, de sol a sol, sem sobrenomes influentes ou estruturas de proteção, a percepção é de que a Justiça costuma agir de forma mais rápida e dura contra o cidadão comum.

“Se está ruim para eles, que têm nome, recursos e influência, imagina para nós, de Terenos, que vivemos do trabalho pesado, sem família importante e sem padrinhos”, resume o sentimento ouvido nas ruas. Para muitos, a operação reforça a necessidade de que a lei alcance todos de forma igual, independentemente de status social, sobrenome ou poder econômico.

Com informações Midiamax News

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