Esquema de exames fantasmas cobrava por testes em bebês que nunca nasceram
Investigação comprovou que Prefeitura de Nioaque pagava a clínica sem haver indicação de qual paciente foi atendido
squema de fraudes em consultas e exames, revelado pela Operação Auditus II, do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), usava bebês que nunca nasceram em Nioaque para desviar milhões da saúde do município.
Na quinta-feira (13), cinco pessoas foram presas acusadas de integrar esquema que desviou mais de R$ 4 milhões com fraude no contrato entre a Prefeitura de Nioaque e a Policlínica Rota Bioceânica (CNPJ 26.927.847/0001-00) — antiga Prontomed — entre 2018 e 2023.
Conforme as investigações, alerta emitido pela atual gestão municipal mostra que o volume de exames mensais cobrados para triagem neonatal — como o teste do olhinho e da orelhinha — superava o número total de crianças nascidas no próprio município.
Além disso, foram constatadas ordens de pagamento emitidas e pagas com verba pública sem a indicação da lista dos pacientes efetivamente atendidos. Também não foram encontradas as solicitações médicas devidamente carimbadas ou justificadas com relatórios clínicos nos arquivos do processo.
O estopim do esquema ocorreu entre 2021 e 2022, quando houve um “boom” no valor do contrato, que passou de R$ 43 mil para cerca de R$ 4,2 milhões em 2022.
O relatório do município indicou ainda indícios de superfaturamento e repasse indevido de verbas públicas por serviços prestados em aparelhos do próprio município (adquiridos por emenda parlamentar) ou por terceiros não licitados, cujas notas eram faturadas diretamente em nome da Prontomed.
Dono da clínica e ex-secretários presos
O médico-legista e proprietário da Policlínica Rota Bioceânica, Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, foi preso preventivamente. Além dele, estão presos a dona de outra clínica do grupo, Bianca Fernandes Leite Aguilar; a gerente administrativa das clínicas, Tatiane Barbosa de Souza Grubert; Márcia Cristiane Missioneira Jara, ex-secretária de Saúde de Nioaque; e Vagner Alves Ribeiro Guimarães, ex-secretário de Governo de Nioaque.
No total, foram 12 mandados de busca e apreensão cumpridos em Nioaque, Jardim Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.
Com o cumprimento dos mandados judiciais, o médico que atuava como legista da perícia do Estado foi afastado de suas funções públicas, enquanto as autoridades seguem apurando a extensão total dos desvios financeiros ao erário.
A reportagem tenta contato com o ex-prefeito Valdir Júnior, mas nossas ligações não foram atendidas nem as mensagens foram respondidas.
O Jornal Midiamax também tentou ligar para a Policlínica para falar com um responsável, mas as ligações também não foram atendidas. O espaço segue aberto para manifestações.
Queda de valor após troca de prefeitos
Após o fim da gestão de Valdir Júnior (PSDB) e a entrada do atual prefeito André Guimarães (PP), houve queda enorme nos repasses feitos para a clínica. O contrato venceu em março de 2025. No entanto, durante esses três meses, houve queda no repasse à Prontomed devido à diminuição de exames e consultas feitas pela empresa.
De janeiro a março de 2024, o município de Nioaque repassou R$ 211 mil para a clínica de Robson. Já no primeiro trimestre de 2025, o valor foi de R$ 70 mil, queda de quase 70% dos serviços pagos.
O Gecoc estima que 83% dos exames pagos pelo município de Nioaque durante os anos de ápice do esquema foram fraudados, o que rendeu cerca de R$ 4 milhões ao grupo criminoso.
A clínica usava documentos falsos de bebês para receber por exames nunca realizados. (Reprodução)

Fonte: Midiamax